Dez meses após a chacina que resultou na morte de quatro homens em uma área rural de Icaraíma (PR), novos documentos incorporados ao processo passaram a levantar questionamentos sobre a forma como as vítimas foram mortas. Laudos periciais acompanhados de fotografias indicam possíveis sinais de violência anterior às execuções, hipótese que não havia sido sustentada oficialmente nos primeiros meses da investigação.
A atualização deste sábado (13) foi confirmada ao GMC Online, pela advogada Josiane Monteiro, representante das famílias das vítimas. Segundo ela, o material recentemente incluído nos autos apresenta informações que divergem de entendimentos divulgados no início da apuração e pode alterar a compreensão sobre a dinâmica do crime.
As vítimas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron desapareceram e, dias depois, foram encontradas enterradas em uma propriedade rural de Icaraíma. Desde então, o caso mobiliza forças de segurança e é considerado um dos episódios criminais de maior repercussão na região.
Nos estágios iniciais da investigação, uma das hipóteses era de que os assassinatos teriam ocorrido dentro do veículo onde parte dos vestígios foi localizada. No entanto, relatos reunidos ao longo da apuração e novos elementos técnicos passaram a indicar a possibilidade de que ao menos algumas das vítimas tenham sido executadas fora do automóvel.
Os laudos mais recentes também registram situações que passaram a ser analisadas pelos investigadores. Em um dos corpos, os peritos identificaram os pés amarrados com uma corda vermelha. Em outro, uma lesão em uma das orelhas chamou a atenção e passou a ser considerada um possível indicativo de agressão antes da morte.
Por respeito aos familiares, não foram divulgadas informações detalhando quais vítimas apresentavam cada uma das lesões. Ainda assim, a inclusão das imagens no processo provocou forte reação entre parentes e representantes jurídicos, especialmente porque até então não havia divulgação de elementos que apontassem para eventual tortura.
A advogada das famílias também questiona o intervalo entre a elaboração dos laudos e a disponibilização integral do conteúdo nos autos. Segundo ela, documentos anteriores teriam sido anexados sem as fotografias periciais, o que motivou sucessivos pedidos de acesso ao material completo.
Outra linha discutida nos primeiros momentos da investigação envolvia uma possível situação de legítima defesa relacionada a uma cobrança de dívida. Com o avanço das apurações, porém, essa hipótese perdeu espaço diante dos indícios de emboscada apontados pela polícia e da ocultação dos corpos em local distante da cena principal dos fatos.
Perícias anteriores já haviam identificado o uso de pelo menos cinco armas de calibres diferentes durante as execuções. Agora, com os novos elementos incorporados ao inquérito, familiares aguardam esclarecimentos sobre a possibilidade de sequestro, cárcere privado ou atos de tortura antes das mortes.
Enquanto a investigação segue em andamento, os principais suspeitos continuam sem localização. Antônio Buscariollo, conhecido como Tonhão, de 67 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, permanecem foragidos desde agosto de 2025 e seguem sendo procurados pelas autoridades.
Recentemente, uma denúncia anônima levou equipes policiais a uma propriedade da família Buscariollo, em Vila Rica do Ivaí, após informações sobre uma possível reunião familiar e eventual presença dos investigados. A suspeita, entretanto, não foi confirmada durante a ação.
Procurado pela reportagem do OBemdito, o delegado responsável pelo caso, Thiago Andrade Inácio, informou no início deste mês que não há informações novas que possam ser divulgadas devido ao sigilo das investigações. Segundo ele, o fato mais recente considerado relevante foi a prisão de Carlos Eduardo Buscariollo em outro procedimento policial relacionado ao tráfico de drogas.